Marcação a Mercado: Como Títulos Variam Antes do Vencimento
Marcação a mercado é a metodologia de precificar diariamente um título pelo valor pelo qual ele seria negociado no mercado naquele momento, em oposição ao valor de carregamento (curva de juros original).
Aplicação no Tesouro Direto: títulos prefixados e IPCA+ são marcados a mercado diariamente. Quando os juros futuros sobem, o preço do título cai (porque títulos novos pagam mais, tornando os antigos menos atrativos). Quando os juros futuros caem, o preço sobe. O Tesouro Selic não sofre impacto significativo de marcação a mercado — sua taxa é pós-fixada.
Exemplo numérico: Tesouro IPCA+ 2035 comprado a R$ 1.000 com taxa contratada de IPCA + 6,2%. Seis meses depois, juros futuros sobem para IPCA + 7,5% (cenário de stress). O preço de mercado do título cai para ~R$ 850 — prejuízo de 15% se vendido nesse momento. Se mantido até 2035, o investidor recebe IPCA + 6,2% original.
Por que isso importa: (1) Tesouro Direto com vencimento longo (2035, 2045) tem alta volatilidade no curto prazo. (2) A reserva de emergência não combina com IPCA+ ou Prefixado longo — Tesouro Selic é o instrumento típico. (3) Em ciclos de queda de juros futuros, títulos prefixados/IPCA+ longos podem dar ganhos relevantes (efeito inverso). (4) Fundos de renda fixa também marcam a mercado — cotas oscilam diariamente.
O extrato do Tesouro Direto mostra dois preços: 'preço de compra' (curva original) e 'preço de venda' (mercado atual). A diferença reflete a marcação. Se levar até o vencimento, o que importa é a taxa contratada — flutuações no meio do caminho não geram perda real, apenas impressão visual no extrato.

